Seu link está contando cliques que ninguém deu
WhatsApp, Facebook e Telegram abrem o seu link sozinhos para montar a prévia. Se a ferramenta conta isso como clique, os seus números mentem. Como funciona, como testar e como o Curtly filtra.
Você cria um link, manda no grupo de WhatsApp e, antes de alguém responder, o painel já mostra cliques. Parece ótimo. Mas boa parte desses números pode não ser de gente: são robôs de pré-visualização do WhatsApp, do Facebook, do Telegram e de outros apps, que abrem o seu link sozinhos para montar aquela prévia com título e imagem. Se a sua ferramenta de analytics conta esses acessos, os seus relatórios estão inflados.
Descobri a dimensão disso escrevendo o código de contagem de cliques do Curtly. Este post explica o que acontece, como você testa a sua ferramenta e o que eu fiz para os números refletirem pessoas.
O que acontece quando você cola um link
Quando você cola um endereço numa conversa, o aplicativo quer mostrar uma prévia bonita. Para isso, um servidor dele acessa a página, lê o título, a descrição e a imagem, e monta o cartão. Esse acesso acontece antes de qualquer pessoa tocar no link, e às vezes se repete: em grupos, em reencaminhamentos, quando o link é editado.
Os mais comuns se identificam no cabeçalho User-Agent, o "documento de identidade" que todo acesso apresenta:
| Quem | Como se identifica |
|---|---|
| Facebook, Instagram e Messenger | facebookexternalhit |
WhatsApp |
|
| Telegram | TelegramBot |
| X (Twitter) | Twitterbot |
LinkedInBot |
|
| Slack | Slackbot |
| Discord | Discordbot |
Além deles, navegadores modernos às vezes pré-carregam links que acham que você vai abrir. Nesse caso, o acesso vem com um cabeçalho dizendo que é um prefetch.
Por que isso estraga os seus dados
Cliques inflados
Um link divulgado em dez grupos pode gerar dezenas de acessos de prévia sem que ninguém tenha clicado. A taxa de cliques parece maior do que é, e você toma decisões com base em público que não existe.
Origem distorcida
Esses acessos não têm origem de verdade. Eles engordam a fatia de tráfego "direto" e confundem a comparação entre canais.
Teste A/B torto
Este foi o ponto que mais me preocupou. Num split de URL, cada clique define para qual destino a próxima pessoa vai. Se um robô ocupa uma posição do rodízio, a divisão deixa de ser a que você configurou. E o pior: o robô "vê" uma página, mas nunca compra nada, então derruba a taxa de conversão do destino que ele recebeu.
Teste a sua ferramenta em 2 minutos
- Crie um link novo na sua ferramenta.
- Mande o link para você mesmo no WhatsApp (ou num grupo só seu).
- Espere a prévia aparecer. Não toque no link.
- Abra o painel da ferramenta.
Se o contador subiu, ela conta robô como clique. Repita com o Telegram e com uma mensagem no Instagram para ver o tamanho do efeito.
O que o Curtly faz
Antes de contar um clique, o Curtly verifica o User-Agent contra uma lista de padrões de robôs: os de prévia acima, robôs de busca, ferramentas automáticas como curl, python-requests e navegadores sem interface (HeadlessChrome, Puppeteer, Playwright). Acesso sem User-Agent também é tratado como robô, porque navegador de verdade sempre manda um. E acessos marcados como pré-carregamento (prefetch) ficam de fora.
O detalhe importante: o robô continua sendo redirecionado normalmente. Se eu bloqueasse, a prévia do seu link quebraria no WhatsApp e ninguém clicaria. Ele só não entra na contagem nem no rodízio do split.
O teste que eu fiz
Para validar, rodei 120 cliques com navegador de celular e mais três acessos de robô: um facebookexternalhit, um WhatsApp e um sem identificação. Os três robôs foram redirecionados, a prévia funcionaria, e o banco registrou exatamente 120 cliques. Os contadores por destino do split também bateram com os 120.
O que o filtro não resolve
Seria desonesto dizer que dá para filtrar tudo. Os robôs de prévia são fáceis porque se identificam. Mas existem robôs que se disfarçam de navegador comum, com User-Agent de Chrome, justamente para não serem filtrados. Para esses, a identificação pelo cabeçalho não basta, e nenhuma ferramenta pega 100% sem bloquear gente de verdade junto.
Por isso, mesmo com filtro, vale cruzar os cliques do link com os números do destino: vendas, cadastros, mensagens recebidas. Clique é sinal, resultado é prova.
Para quem desenvolve
Se você mantém um sistema que conta acessos:
- Filtre por
User-Agentcom uma lista que inclua os robôs de prévia, e trate ausência deUser-Agentcomo robô. - Respeite os cabeçalhos de prefetch (
Sec-Purpose,Purpose). - Não bloqueie os robôs de prévia, só deixe de contá-los. Eles são o que faz o seu link parecer confiável na conversa.
- Mantenha a lista atualizada. Apps mudam a identificação de tempos em tempos.
Conclusão
Um painel cheio de cliques é bom para o ego e ruim para decisões, se metade dos cliques for de robô. Faça o teste do WhatsApp com a sua ferramenta hoje. Se o número subir sem ninguém tocar no link, você já sabe que os seus relatórios precisam de um desconto, ou de uma ferramenta que filtre isso por você.
Perguntas frequentes
Por que o meu link teve cliques logo depois que eu mandei no WhatsApp?
Provavelmente foi o próprio WhatsApp buscando título e imagem para montar a prévia. Esse acesso acontece antes de qualquer pessoa tocar no link.
Como testar se a minha ferramenta conta esses acessos?
Crie um link novo, mande para você mesmo no WhatsApp, espere a prévia aparecer e não toque nele. Se o contador subir, a ferramenta está contando robô como clique.
Dá para filtrar 100% dos robôs?
Não. Os robôs de prévia se identificam e são fáceis de filtrar, mas existem robôs que se disfarçam de navegador comum. O filtro reduz bastante o erro, não zera.
Robô filtrado ainda é redirecionado?
No Curtly, sim. O robô chega ao destino normalmente, para a prévia funcionar. Ele só não entra na contagem nem no rodízio do split de URL.

Escrito por
Fernando Novelli
Desenvolvedor full stack formado em Ciência da Computação, com experiência em cloud (GCP e AWS), IA e monetização no Google Ad Manager. Já gerenciou campanhas no Google Ads, Meta Ads e TikTok Ads e une código e visão de negócio para criar ferramentas orientadas a resultado.