O algoritmo me tirou o alcance: canal no WhatsApp ou newsletter?
Quando o alcance cai, quem tem público próprio continua vendendo. Canal do WhatsApp, assinatura paga de canal ou lista de e-mail: como escolher, como levar o seguidor da bio até lá e o que medir.
Capítulo 9 da série Do perfil à venda. A Carol é uma personagem ilustrativa; os dados e as fontes são reais.
Resumo rápido
- Alcance de rede social oscila e não é seu. Público próprio é o que segura as vendas nas semanas ruins.
- Desde 2025, o WhatsApp tem canais promovidos e assinaturas pagas de canal, segundo a Meta.
- Canal = alcance rápido no celular. Lista de e-mail = o público mais seu que existe. O ideal é ter os dois.
- Leve o seguidor com um motivo concreto e o botão principal da bio apontando para lá.
Numa terça-feira, os vídeos da Carol simplesmente pararam de chegar às pessoas. Os mesmos formatos, os mesmos horários, a mesma qualidade, e um terço das visualizações de sempre. Não houve aviso, não houve explicação. Naquela semana, as vendas que vinham do Instagram e do TikTok caíram junto. Só um canal continuou vendendo normalmente: o grupo de ofertas do WhatsApp que ela tinha criado no capítulo 2.
Foi a primeira vez que ela entendeu, na prática, a diferença entre audiência emprestada e público próprio.
O que mudou: o WhatsApp virou também uma mídia
Em junho de 2025, a Meta anunciou que a aba Atualizações do WhatsApp, onde ficam os Status e os canais, passaria a ter anúncios no Status, canais promovidos e assinaturas de canais. Sobre a última, a empresa descreveu a possibilidade de "apoiar o seu canal favorito" assinando "para receber atualizações exclusivas por uma mensalidade". Segundo a Meta, essa aba é usada por 1,5 bilhão de pessoas por dia.
Ao mesmo tempo, as newsletters voltaram com força. Plataformas de e-mail para criadores, como o Beehiiv, aparecem entre os assuntos de maior crescimento de busca no Exploding Topics. O motivo é o mesmo: quem depende só do algoritmo vive à mercê dele.
As três opções, lado a lado
| Grupo ou canal do WhatsApp | Assinatura paga de canal | Lista de e-mail (newsletter) | |
|---|---|---|---|
| Alcance | Alto, direto no celular | Menor, só quem paga | Médio, depende da caixa de entrada |
| De quem é o público | Da plataforma | Da plataforma | Seu (você leva a lista para qualquer ferramenta) |
| Melhor para | Ofertas e avisos rápidos | Conteúdo exclusivo para os fãs mais fiéis | Relacionamento, conteúdo mais longo, lançamentos |
| Risco | Mudança de regra da plataforma | Pouca gente disposta a pagar no início | Cair no spam se mal feita |
Não é uma escolha excludente. A estratégia que funciona para a maioria dos pequenos negócios é: canal ou grupo para o dia a dia, lista de e-mail como cofre.
O que fazer: do seguidor ao público próprio
1. Um motivo que valha o clique
Ninguém entra num canal ou numa lista "para receber novidades". Ofereça algo concreto:
- a lista completa dos achados com os links curtos numerados;
- o achado antes de todo mundo, com estoque limitado;
- um cupom que só existe ali.
2. O botão principal da bio
O primeiro botão da bio aponta para o canal ou a lista, com o benefício no texto: "Receba os achados da semana antes de todo mundo". Expliquei como escrever esse texto no post Textos de botão que geram cliques.
3. Chame nos conteúdos
- No fim dos vídeos: "a lista completa está no canal, link no perfil".
- Nos stories: o adesivo de link direto para o canal.
- Nos destaques: um destaque fixo "Entre no canal".
4. Use um link curto por chamada
curtly.pro/canal-bio, curtly.pro/canal-stories, curtly.pro/canal-reels. Em um mês, você sabe qual chamada traz mais gente, e para de gastar energia nas que não trazem.
5. Cuide do que você recebeu
Público próprio só vale se for bem tratado. Constância (o mesmo dia e horário), mais conteúdo útil do que oferta e descadastro fácil na lista. O post Lista de e-mails para criadores tem o passo a passo da newsletter.
6. Pense na assinatura paga só depois
Cobrar por um canal faz sentido quando você já tem fãs que pedem mais. Comece gratuito, observe o que as pessoas mais pedem e transforme isso no conteúdo exclusivo.
Bastidor: o que o próprio Curtly faz
O blog do Curtly nasceu exatamente por esse motivo: um lugar que é nosso, que não depende de nenhum algoritmo de rede social. E a página de bio link é a ponte entre os dois mundos: ela fica dentro do Instagram, mas leva para o que é seu. Por isso o botão em destaque da bio, num perfil que quer crescer de verdade, raramente deveria apontar para outra rede social.
Erros comuns
- Mandar o seguidor para o canal sem dizer por quê.
- Encher o canal só de oferta. As pessoas silenciam ou saem.
- Comprar ou importar contatos. Fere a LGPD, derruba a entrega e queima a sua reputação.
- Esperar ter muitos seguidores para começar. Público próprio cresce devagar; quanto antes, melhor.
Desfecho
A Carol transformou o grupo num canal, criou uma lista de e-mail simples com a "lista dos 10 achados do mês" e trocou o primeiro botão da bio. Quando o alcance oscilou de novo, semanas depois, as vendas quase não sentiram.
Com mais gente acompanhando de perto, ela quis acelerar a produção de conteúdo. Uma ferramenta de IA prometia transformar uma foto do produto num Reels inteiro em minutos. Ela testou. O vídeo ficou lindo. O problema foi o que aconteceu depois. É o próximo capítulo.
Fontes: Meta: novidades na aba Atualizações do WhatsApp, Exploding Topics: assuntos em alta.
Perguntas frequentes
O que são as assinaturas de canal do WhatsApp?
Segundo a Meta, é a possibilidade de o público apoiar um canal assinando, por uma mensalidade, para receber atualizações exclusivas. A novidade foi anunciada em junho de 2025, junto com os canais promovidos e os anúncios no Status.
Canal do WhatsApp ou lista de e-mail: qual é melhor?
Depende do objetivo. O canal tem alcance imediato no celular, mas continua sendo uma plataforma de terceiros. A lista de e-mail é o público mais seu que existe: você pode levar os contatos para qualquer ferramenta.
Como levar seguidores do Instagram para o canal ou a lista?
Com um motivo concreto (lista de achados, cupom, conteúdo exclusivo), um botão em destaque na bio e uma chamada específica nos posts e stories.
Posso cobrar pelo conteúdo do canal?
Onde a assinatura de canal estiver disponível, sim. Antes de cobrar, tenha um público fiel e uma promessa clara do que o assinante recebe a mais.

Escrito por
Fernando Novelli
Desenvolvedor full stack formado em Ciência da Computação, com experiência em cloud (GCP e AWS), IA e monetização no Google Ad Manager. Já gerenciou campanhas no Google Ads, Meta Ads e TikTok Ads e une código e visão de negócio para criar ferramentas orientadas a resultado.