Segurança
Série Do perfil à venda · Capítulo 11

Esse vídeo é real? Deepfake, eleições de 2026 e a confiança no seu perfil

O que a Resolução 23.755/2026 do TSE exige de conteúdo com IA, a janela de 72 horas antes do segundo turno e um roteiro simples para checar um vídeo antes de compartilhar, sem queimar a confiança dos seus seguidores.

Fernando NovelliFernando NovelliFundador do Curtly.pro·4 min de leitura
Ilustração de escudo sobre um vídeo com sinais de manipulação

Capítulo 11 da série Do perfil à venda. A Carol é uma personagem ilustrativa; os dados e as fontes são reais. Este post não toma partido de nenhum candidato.

Resumo rápido

  • A Resolução 23.755/2026 do TSE exige que propaganda eleitoral com conteúdo de IA avise de forma explícita e destacada e diga qual tecnologia foi usada.
  • Novo conteúdo sintético é proibido nas 72 horas antes da votação e nas 24 horas depois. O segundo turno é em 25 de outubro.
  • Antes de compartilhar um vídeo, confira a fonte, procure em veículos confiáveis e em agências de checagem.
  • O seu perfil é o seu negócio: repostar algo falso custa confiança.

O vídeo chegou no grupo da família da Carol numa sexta à noite: um político, com a voz e o rosto perfeitos, dizendo uma frase absurda. A amiga mandou junto: "posta no seu perfil, todo mundo precisa ver isso". A Carol quase postou. Tinha milhares de seguidores, muitos da cidade, e o vídeo parecia escandaloso o bastante para "viralizar". Parou só porque se lembrou do vídeo do mop do capítulo anterior: ela mesma tinha visto como a IA faz qualquer coisa parecer real.

Ela não sabia se o vídeo era falso. Mas sabia que não sabia.

O que mudou: regras novas para IA nas eleições

As eleições gerais de 2026 trouxeram regras específicas para inteligência artificial. A Resolução 23.755, aprovada pelo TSE em 2 de março de 2026, alterou as normas de propaganda eleitoral. Segundo o resumo da Data Privacy Brasil, ela:

  • exige que materiais com conteúdo produzido ou alterado por IA informem isso de forma explícita e destacada, indicando a tecnologia utilizada;
  • proíbe a publicação, republicação ou impulsionamento de novo conteúdo sintético nas 72 horas anteriores à votação e nas 24 horas posteriores;
  • cria obrigações para as plataformas, como remover conteúdo sintético sem rótulo e impedir que sistemas de IA recomendem candidatos.

Em setembro, o TSE também fixou um entendimento sobre o que é deepfake proibido. Segundo a cobertura do Conjur, deepfake é o conteúdo sintético "dotado de grau de realismo" que cria ou altera imagem, voz ou manifestação de uma pessoa, e a proibição "pressupõe caracterização do conteúdo como propaganda eleitoral". Como a exigência é de realismo, conteúdos claramente fictícios tendem a ficar de fora, mas a tese não traz uma exceção expressa para sátira.

O primeiro turno foi em 4 de outubro. Segundo a Agência Brasil, o segundo turno é em 25 de outubro de 2026, para presidente e para governador nos estados onde houve segundo turno. Ou seja, a janela de 72 horas começa na quinta-feira, 22 de outubro.

Por que isso importa para quem vende pelo Instagram

Você não precisa ser candidato para ser afetado. O seu perfil é a vitrine do seu negócio, e a confiança dos seguidores é o que faz eles tocarem no seu link. Compartilhar um vídeo falso, de qualquer lado, coloca em dúvida tudo o que você recomenda. Se você divulga achados, informação e produto, o seu ativo é ser alguém em quem se pode acreditar.

Este texto explica regras públicas e não é orientação jurídica. Dúvidas sobre um caso concreto devem ir a um profissional.

O que fazer: um roteiro de 2 minutos antes de compartilhar

1. Pare na emoção

Conteúdo falso costuma vir com urgência e indignação: "todo mundo precisa ver", "antes que apaguem". Se o vídeo te deixou com raiva e pressa, é o momento de desacelerar.

2. Procure a fonte original

Quem publicou primeiro? Um perfil oficial, um veículo de imprensa, ou um perfil anônimo? Vídeo sem origem identificável não deve ser repostado.

3. Procure em veículos confiáveis

Se a fala fosse real e grave, estaria em vários veículos de imprensa. Pesquise as palavras-chave da frase. Silêncio total dos veículos sérios é sinal de alerta.

4. Consulte agências de checagem

Agências e projetos de checagem verificam vídeos que circulam muito, especialmente em eleição. Busque o assunto junto com a palavra "checagem".

5. Observe os rótulos e os detalhes

Rótulos de IA da plataforma, cortes estranhos, sincronia entre boca e voz, mãos e fundo esquisitos. Nenhum desses sinais prova nada sozinho, e vídeos falsos bons não têm defeito visível; por isso a fonte pesa mais do que os detalhes.

6. Na dúvida, não compartilhe

Não compartilhar não tem custo. Compartilhar algo falso tem.

Se você usa IA no seu próprio conteúdo

Nada disso impede o uso de IA no seu marketing, como vimos no capítulo anterior. Mas, no período eleitoral, vale redobrar o cuidado com qualquer conteúdo que use imagem ou voz de pessoas públicas, mesmo como brincadeira, e rotular sempre que usar IA de forma realista.

Bastidor: confiança é uma métrica que não aparece no painel

Nenhum painel de analytics, nem o do Curtly, mostra "confiança". Mas ela aparece em tudo o que vem depois: na taxa de cliques do link da bio, nas recompras, nas avaliações. Um perfil que compartilha boato perde exatamente isso, e o efeito demora muito mais para passar do que o vídeo leva para circular.

Desfecho

A Carol procurou a frase do vídeo em três veículos de imprensa e não encontrou nada. Achou, em seguida, uma checagem apontando que o áudio tinha sido manipulado. Respondeu à amiga com o link da checagem e não postou nada. No dia seguinte, gravou um story curto: "vi um vídeo circulando, conferi antes de compartilhar, e era montagem. Na dúvida, confiram."

Foi um dos stories com mais respostas que ela já teve. Muitas eram de seguidoras querendo saber como ela conferia. Outras perguntavam outra coisa: como ela fazia aqueles vídeos de clientes usando os produtos. É o próximo capítulo.

Fontes: Data Privacy Brasil: IA nas eleições e as novas regras do TSE, Conjur: deepfake eleitoral e a tese do TSE, Agência Brasil: data do segundo turno, Meta: rótulos de conteúdo gerado por IA.

Perguntas frequentes

O que diz a Resolução 23.755/2026 do TSE sobre IA?

Segundo a Data Privacy Brasil, ela exige que propaganda eleitoral com conteúdo produzido ou alterado por IA informe isso de forma explícita e destacada, indicando a tecnologia usada, e proíbe publicar, republicar ou impulsionar novo conteúdo sintético nas 72 horas antes da votação e nas 24 horas depois.

Quando é o segundo turno de 2026?

Em 25 de outubro de 2026, segundo a Agência Brasil, nas disputas para presidente e para governador onde houver segundo turno.

Repostar um vídeo falso pode me trazer problema?

Pode trazer problema de confiança com o seu público e, dependendo do caso, problema legal. Na dúvida, não compartilhe. Este texto não é orientação jurídica.

Como saber se um vídeo foi feito com IA?

Não existe teste infalível. Verifique a fonte original, procure a mesma notícia em veículos confiáveis e em agências de checagem, observe rótulos de IA da plataforma e desconfie de conteúdo que provoca emoção forte e pede compartilhamento urgente.

#deepfake#eleições 2026#tse#inteligência artificial#checagem

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Fernando Novelli

Escrito por

Fernando Novelli

Desenvolvedor full stack formado em Ciência da Computação, com experiência em cloud (GCP e AWS), IA e monetização no Google Ad Manager. Já gerenciou campanhas no Google Ads, Meta Ads e TikTok Ads e une código e visão de negócio para criar ferramentas orientadas a resultado.

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