Marketing digital
Série Do perfil à venda · Capítulo 12

O cliente que vira anúncio: como usar UGC e medir qual vídeo trouxe a venda

Vídeos de clientes reais (UGC) vendem porque parecem recomendação, não propaganda. Como pedir, como usar com autorização, como identificar quando é parceria e como medir qual vídeo trouxe cada venda.

Fernando NovelliFernando NovelliFundador do Curtly.pro·4 min de leitura
Ilustração de vídeo de cliente com botão de compra

Capítulo 12 da série Do perfil à venda. A Carol é uma personagem ilustrativa; os dados e as fontes são reais.

Resumo rápido

  • UGC (conteúdo gerado pelo cliente) vende porque soa como recomendação, não como anúncio. A busca por "UGC creator" é uma das que mais crescem, segundo o Exploding Topics.
  • Peça autorização por escrito antes de usar o vídeo de alguém: uso comercial de imagem sem autorização pode ser proibido (Código Civil, art. 20).
  • Se o vídeo teve pagamento ou presente em troca, identifique como publicidade.
  • Um link curto ou cupom por vídeo mostra qual cliente trouxe venda.

Depois do capítulo passado, várias seguidoras perguntaram como a Carol conseguia aqueles vídeos de clientes usando os produtos. A verdade é que, no começo, ela não conseguia: só repostava os stories em que era marcada. Um dia, uma cliente mandou um vídeo espontâneo, mostrando a gaveta organizada com o kit, com um "ficou perfeito!" no final. A Carol repostou. Aquele story vendeu mais do que qualquer vídeo produzido por ela no mês.

Foi aí que ela percebeu o óbvio: o melhor vendedor dela era a cliente satisfeita.

O que mudou: a recomendação virou formato

Conteúdo com cara de cliente, o chamado UGC (user-generated content), virou uma estratégia própria. Além do conteúdo espontâneo, surgiram criadores que produzem vídeos "de cliente" sob encomenda. A expressão "UGC creator" aparece entre os assuntos de maior crescimento de busca no levantamento do Exploding Topics.

O motivo é simples: quem assiste confia mais em alguém parecido com ele usando o produto do que na marca falando bem de si mesma.

Os três tipos de UGC

Tipo Como surge Cuidado principal
Espontâneo A cliente posta por conta própria Pedir autorização para reaproveitar
Incentivado Você pede, às vezes com um mimo ou desconto Identificar a contrapartida
Contratado Criador pago para produzir o vídeo Identificar como publicidade e combinar direitos de uso

O que fazer: do vídeo da cliente à venda medida

1. Facilite o envio

Coloque no pacote um cartão: "Mostra como ficou e me marca! Os melhores vídeos aparecem no perfil." No WhatsApp de pós-venda, peça com carinho, sem insistir.

2. Peça autorização por escrito

Antes de repostar, editar ou usar num anúncio, peça permissão por mensagem: "Posso usar o seu vídeo no meu perfil e em anúncios?". O Código Civil, no artigo 20, prevê que o uso da imagem de uma pessoa pode ser proibido, a pedido dela, quando se destina a fins comerciais sem autorização. Uma mensagem clara resolve.

Este texto não é orientação jurídica. Para contratos com criadores, consulte um profissional.

3. Identifique quando houve troca

Se a cliente ganhou desconto, presente ou pagamento pelo vídeo, isso é uma contrapartida. O guia do CONAR para influenciadores trata contrapartidas como possível caracterização de publicidade e pede identificação visível, como vimos no capítulo dos afiliados. Na dúvida, identifique.

Para saber qual vídeo vendeu, cada um precisa de uma marca própria:

Vídeo Link curto Cupom
Gaveta da Ana curtly.pro/ugc-ana ANA10
Cozinha da Bruna curtly.pro/ugc-bruna BRUNA10
Despensa da Lu curtly.pro/ugc-lu LU10

Nos stories, use o adesivo de link com o link curto daquele vídeo. Em uma ou duas semanas, você vê qual estilo de vídeo (antes e depois, unboxing, rotina) leva mais gente a comprar.

5. Transforme o vencedor em destaque

O vídeo que mais vendeu vai para um destaque fixo "Clientes reais" e pode virar anúncio, com autorização para isso.

Bastidor: o clique mostra o estilo que convence

Quando cada vídeo tem o seu próprio link curto, um padrão costuma aparecer: o vídeo mais bonito nem sempre é o que mais converte. Muitas vezes vence o vídeo mais simples, feito no celular, mostrando um problema real resolvido. É o mesmo raciocínio do post sobre Reels com IA: o que vende é a prova de que o produto funciona, não o acabamento.

Erros comuns

  • Repostar sem pedir. Mesmo que a cliente tenha marcado você, pedir é o que protege os dois lados.
  • Editar o vídeo da cliente a ponto de mudar o que ela disse.
  • Esconder que houve brinde ou pagamento.
  • Usar o mesmo link para todos os vídeos, e nunca saber qual funcionou.

Desfecho

A Carol colocou o cartão no pacote e, em um mês, recebeu mais de vinte vídeos de clientes. Pediu autorização a cada uma, criou um link curto por vídeo e descobriu que os vídeos de "antes e depois" de gaveta vendiam muito mais do que os de unboxing. Passou a pedir exatamente esse formato.

Olhando os cliques desses links, porém, ela notou algo estranho: alguns links tinham acessos em horários impossíveis, em sequência rápida, sem nenhuma venda. Não parecia gente. E não era. É o próximo capítulo.

Fontes: Exploding Topics: assuntos em alta, Código Civil (Lei 10.406/2002), art. 20, TozziniFreire: o novo guia do Conar.

Perguntas frequentes

O que é UGC?

É o conteúdo gerado pelo usuário: fotos, vídeos e avaliações feitos por clientes. Também se usa o termo para criadores contratados para produzir vídeos com cara de cliente.

Posso repostar o vídeo de uma cliente?

Peça autorização por escrito, mesmo que seja por mensagem. O Código Civil (art. 20) prevê que o uso da imagem de uma pessoa pode ser proibido se for para fins comerciais sem autorização.

UGC pago precisa de #publi?

Se houve pagamento, produto de presente ou outro benefício em troca do vídeo, trate como publicidade e identifique. O guia do CONAR para influenciadores considera esse tipo de contrapartida.

Como saber qual vídeo de cliente vendeu mais?

Use um link curto ou um cupom diferente para cada vídeo e compare cliques e vendas no mesmo período.

#ugc#prova social#instagram#direito de imagem#métricas

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Fernando Novelli

Escrito por

Fernando Novelli

Desenvolvedor full stack formado em Ciência da Computação, com experiência em cloud (GCP e AWS), IA e monetização no Google Ad Manager. Já gerenciou campanhas no Google Ads, Meta Ads e TikTok Ads e une código e visão de negócio para criar ferramentas orientadas a resultado.

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